''A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.''
A noite desceu sobre o Rio de Janeiro, carregada de sombras e murmúrios, como se as ruas estivessem repletas de segredos sussurrados pelos ventos da solidão. Na penumbra de um modesto quarto, um homem idoso se via imerso em recordações, seu olhar perdido nas linhas do passado que se confundiam com as rugas em seu rosto. Uma única luz fraca lançava sombras dançantes sobre as paredes, revelando a presença de um retrato cuidadosamente colocado sobre a velha escrivaninha de madeira.
Centro da imagem desgastada pelo tempo, uma menina de sorriso puro e olhar radiante, vestida em trajes singelos, transmitia uma inocência que parecia congelada no instante capturado pelo click da câmera. Era a filha do homem, que há anos não voltava para casa.
"Ana," ele murmurava, como se o nome fosse uma prece, uma evocação que pudesse trazer de volta os dias felizes que se esvaíram como água entre os dedos. A fotografia, mais que um mero registro, tornara-se um portal para um passado que teimava em permanecer vivo na memória do velho homem.
O desaparecimento dela havia lançado sombras sobre a vida dele. Partira numa manhã ensolarada, como uma andorinha que alça voo, sem deixar rastros ou pistas que pudessem acalmar o coração inquieto do seu progenitor. Desde então, se tornara um náufrago nas águas revoltas da saudade, um espectro que caminhava pelas ruas da cidade, buscando na multidão o rosto amado que se perdera.
A cidade, por sua vez, se transformara numa vasta teia de ruas e becos, onde cada esquina parecia esconder segredos e possibilidades. O homem vagava pelos lugares onde ela costumava brincar, pelos parques e praças que, de alguma forma, ainda guardavam o eco da risada infantil que um dia ali ressoou.
Na solidão de suas noites, ele revirava cada pedaço de sua existência em busca de respostas. Os amigos e familiares se distanciaram, alguns por não suportarem a tristeza que pairava sobre a casa, outros por descrença na possibilidade de encontrar a filha perdida. Mas o velho homem persistia, movido por uma fé que, embora frágil, sustentava-o na busca incansável.
A foto, agora, parecia sorrir ironicamente para ele, como se Ana estivesse ali, ao alcance dos dedos, mas eternamente inalcançável. Cada ruga em seu rosto contava a história de um pai que envelhecera esperando, cujas lágrimas eram testemunhas silenciosas da saudade que o corroía por dentro.
Centro da imagem desgastada pelo tempo, uma menina de sorriso puro e olhar radiante, vestida em trajes singelos, transmitia uma inocência que parecia congelada no instante capturado pelo click da câmera. Era a filha do homem, que há anos não voltava para casa.
"Ana," ele murmurava, como se o nome fosse uma prece, uma evocação que pudesse trazer de volta os dias felizes que se esvaíram como água entre os dedos. A fotografia, mais que um mero registro, tornara-se um portal para um passado que teimava em permanecer vivo na memória do velho homem.
O desaparecimento dela havia lançado sombras sobre a vida dele. Partira numa manhã ensolarada, como uma andorinha que alça voo, sem deixar rastros ou pistas que pudessem acalmar o coração inquieto do seu progenitor. Desde então, se tornara um náufrago nas águas revoltas da saudade, um espectro que caminhava pelas ruas da cidade, buscando na multidão o rosto amado que se perdera.
A cidade, por sua vez, se transformara numa vasta teia de ruas e becos, onde cada esquina parecia esconder segredos e possibilidades. O homem vagava pelos lugares onde ela costumava brincar, pelos parques e praças que, de alguma forma, ainda guardavam o eco da risada infantil que um dia ali ressoou.
Na solidão de suas noites, ele revirava cada pedaço de sua existência em busca de respostas. Os amigos e familiares se distanciaram, alguns por não suportarem a tristeza que pairava sobre a casa, outros por descrença na possibilidade de encontrar a filha perdida. Mas o velho homem persistia, movido por uma fé que, embora frágil, sustentava-o na busca incansável.
A foto, agora, parecia sorrir ironicamente para ele, como se Ana estivesse ali, ao alcance dos dedos, mas eternamente inalcançável. Cada ruga em seu rosto contava a história de um pai que envelhecera esperando, cujas lágrimas eram testemunhas silenciosas da saudade que o corroía por dentro.
INSPIRAÇÃO
A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É
uma ideia nova, relata um sofrimento bastante atual, de pessoas desaparecidas, mesmo a família indiretamente não aceitando o destino trágico (como infelizmente acontece), não perdem a esperança, por isso a razão do título. Enfim, caro leitor (a), espero
que sua leitura seja prazerosa!

Texto lindo e sensível. Parabéns! Que Deus vele a dor daqueles pais "órfãos" de filhos desaparecidos
ResponderExcluirExcelente ... Vc escreve e eu leio ... Continue ... Não pare !!
ResponderExcluirQue texto tocante e atual, bela reflexão sobre a vida e suas agruras.
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