''O criminoso, no momento em que pratica o seu crime, é sempre um doente.''
"Bom dia, meu doce de leite." As palavras penetraram meus ouvidos, arrancando-me de um estado de sonolência perturbador. Tentei me mover, mas minhas mãos estavam cruelmente amarradas por arames, cada tentativa de libertação esfolava minha pele. Uma dor latejante no pulso direito denunciava uma contusão severa, e ao tocar minha cabeça, constatei um galo acompanhado pelo viscoso líquido escarlate que manchava meus dedos.
A consciência plena revelou minha desventura: aprisionada em uma casa de bonecas gigante, vestida na mesma roupa do dia anterior. O responsável por esse pesadelo era um homem de aproximadamente quarenta anos, antes conhecido por sua simpatia. Seus olhos, agora portadores de desconfiança, encaravam-me. A pele exibia cicatrizes, fruto, suponho, de trabalho árduo. Um gesto aparentemente carinhoso transformou-se em um ato de dominação, e minha reação instintiva, uma mordida, resultou em um sono forçado pelo impacto de sua mão em meu rosto.
Dois dias se passaram até meu despertar, o olhar do captor ainda fixo em mim. "Desculpe, querida. Não era minha intenção, mas você me enfureceu." Uma oferta, disfarçada de esperança, surgiu: "Apenas desejo alguém para brincar de boneca comigo. Comporte-se, e permitirei sua liberdade." Aceitar aquela condição significava viver novamente como uma criança, uma oferta difícil de recusar.
"Não chore, querida, assim seu brilho natural se apaga." Suas palavras ecoavam enquanto ele transformava objetos em brinquedos. Um sorriso forçado era meu escudo. "Esse café está ótimo! Poderia arrumar um pouco de açúcar para mim?" Com esse simples pedido, uma oportunidade de fuga se revelou. Ao retornar, ele não encontrou sua "boneca" e sua fúria se manifestou na destruição desenfreada do ambiente. A jovem, adaptando-se à situação, lançou um copo de chá fervente em seu rosto, levando-o a uma espiral de desorientação. A queda acidentalmente o conduziu às mesmas ruínas da sua ira inicial, perfurando seus olhos e garganta, emitindo sons agonizantes abafados pelo próprio sangue.
Rota de fuga, finalmente bem-sucedida, conduziu-a à necessidade de se livrar das correntes. A chave permanecia no segundo andar, e a casa, construída para bloquear qualquer sinal, agora se tornava uma prisão de segredos. O desafio residia em desvendar as três combinações do cofre na porta. Um mês após sua fuga, o novo proprietário, alertado por ruídos suspeitos no porão, foi tranquilizado pelo agente imobiliário, que minimizou os sons como prováveis ratos.
INSPIRAÇÃO
Ps:
A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, BING AI,
digitei "imagem inspirada no livro O Colecionador, uma casa de bonecas e o final do filme Jogos Mortais 1" e obtive esse resultado.
REFERÊNCIAS
1. "O Colecionador" é um thriller psicológico arrebatador escrito por John Fowles. A história segue a vida de Frederick Clegg, um recluso e solitário jovem que desenvolve uma obsessão doentia pela bela e jovem Miranda Grey. Quando a oportunidade se apresenta, Clegg a sequestra e a mantém em cativeiro em sua mansão isolada. À medida que a narrativa se desenrola, somos guiados pelas mentes perturbadas do sequestrador e da vítima, mergulhando nas profundezas obscuras da psique humana. Uma obra-prima que explora temas de poder, controle e alienação, "O Colecionador" é um conto angustiante que desafia as fronteiras da moralidade.
2. "Jogos Mortais" é um thriller de horror inovador dirigido por James Wan. O filme apresenta a história do enigmático Jigsaw, um assassino obsessivo que desafia suas vítimas a enfrentarem escolhas morais terríveis para sobreviverem. Quando dois estranhos acordam acorrentados em um banheiro sujo, eles descobrem que estão envolvidos em um jogo macabro orquestrado por Jigsaw. Na medida que o filme se desenrola, os espectadores são levados a um labirinto de reviravoltas surpreendentes e revelações chocantes. "Jogos Mortais" não apenas redefine o gênero de horror, mas também explora temas de redenção, moralidade e a fragilidade da vida humana. Prepare-se para uma experiência cinematográfica intensa e cheia de suspense.
OBS: Texto foi inspirado na cena final do FILME!

Texto maravilhoso, a atmosfera de suspense psicológico é super compenetrante.
ResponderExcluirO captor oferece uma condição para libertar o protagonista: comportar-se como uma boneca para brincar. Mesmo que seja uma oferta difícil de recusar, essa condição significaria reviver a vida como uma criança. O protagonista tenta encontrar uma oportunidade para escapar ao fazer um pedido simples por açúcar, mas a fuga não ocorre conforme o planejado.
ResponderExcluirÓtimo texto, adorei o terror psicológico.
ResponderExcluir