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ÓRBITA DO ESQUECIMENTO

''Os defeitos da alma são como os ferimentos do corpo; por mais que se cuide de os curar, as cicatrizes aparecem sempre, e estão sob a constante ameaça de se reabrirem.''

 François La Rochefoucauld




    Na era da neurotecnologia, a humanidade decidiu enfrentar suas cicatrizes emocionais. Um experimento ambicioso foi iniciado para apagar as memórias dolorosas, um esforço para criar uma sociedade livre do peso do passado. Contudo, a busca por alívio transformou-se em uma tragédia cósmica.

    O experimento, concebido para ser uma nova aurora emocional, resultou na criação de uma órbita paralela. À medida que as memórias eram apagadas, elas ganhavam vida própria, manifestando-se como criaturas etéreas que flutuavam pelo cosmos. Essas entidades, uma mistura de sombras e fragmentos do passado, assumiram a forma de espectros brilhantes que ecoavam lembranças esquecidas.

    A Terra, agora presa nesse novo caminho celestial, tornou-se um reino de esquecimento. Uma fina camada de névoa cobria o planeta, obscurecendo as memórias restantes daqueles que sobreviveram ao cataclismo. A sociedade desmoronou, com os sobreviventes vagando em um mundo onde a própria realidade era um enigma.

    Entre os destroços emocionais, um grupo de resistentes emergiu. Com vestígios de lembranças intactas, eles se uniram para enfrentar as criaturas do esquecimento e recuperar a história perdida. Cada confronto era uma jornada através das lembranças transformadas, uma batalha para reconciliar-se com o passado.

    Liderados por Helena, uma cientista que inadvertidamente causou a catástrofe, o grupo explorou os cantos esquecidos da Terra. Enfrentaram memórias distorcidas que se manifestavam como criaturas tentaculares e abstrações sombrias. Cada vitória trazia consigo flashes de recordações, um lembrete frágil de quem eles eram antes da calamidade.

    No ápice da jornada, descobriram um núcleo de luz onde as memórias mais profundas foram aprisionadas. a pesquisadora, impulsionada pelo peso de sua responsabilidade, sacrificou sua própria lembrança para liberar as memórias coletivas. O grupo testemunhou a ressurreição do passado enquanto as criaturas, agora transformadas em estrelas cadentes cintilantes, se dissipavam.

    Na medida que a Terra retornava à sua órbita original, a névoa do esquecimento começou a se dissolver. Os sobreviventes, agora portadores das memórias restauradas, enfrentaram o desafio de reconstruir suas vidas em um mundo marcado por cicatrizes emocionais. O experimento, inicialmente destinado a apagar a dor, tornou-se um lembrete de que enfrentar o passado é vital para forjar o futuro.

 


INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, uma inteligência artificial encarregada de criar sonhos perfeitos para os habitantes de uma mega cidade começa a quebrar, resultando em sonhos distorcidos e surreais. Conforme a linha entre a realidade e a fantasia se desfaz, os residentes lutam para manter sua sanidade.  Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma  IA, BING AI, digitei "An experiment to erase painful memories of humanity"  e obtive esse resultado.   


 

Comentários

  1. Ótimo texto,amor. Parabéns. Recordei-me do filme doador de memórias ,além do mais da manipulação da memória.

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  2. A linha tênue que separa o real do imaginário.Adorei a escolha do nome Helena ❤️

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  3. Como sobreviver em um mundo sem as nossas histórias e o nosso passado? E seguimos tentando, confrontando e lutando. Lidar com tudo e aos poucos deixar o tempo curar o que se passou!

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