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ZONA DE PRECIPITAÇÃO

"Não há dor maior do que a dor da devastação humana, quando a alma é esmagada e a esperança desaparece. É uma angústia que consome até mesmo os mais fortes entre nós." - Haruki Murakami




    O ano era 2085. Cinquenta e um anos após o fatídico incidente nuclear que transformou o sudeste dos Estados Unidos em uma terra desolada e abandonada, eu, como agente federal, fui designado para investigar os persistentes rumores de criaturas que vagavam pela região. Rumores de criaturas semelhantes a zumbis haviam circulado por anos nas cidades fronteiriças, mas eu sabia que a realidade poderia ser muito pior.

    Adentrei a zona de precipitação, atravessando a fronteira virtual que separava a segurança do mundo exterior devastado. O cenário à minha frente era desolador, com estruturas corroídas pelo tempo e destroços espalhados por toda parte. A vegetação era escassa e retorcida, testemunha silenciosa da morte imposta pela radiação.

    Os relatos descreviam as vítimas da radiação como seres humanos, mas sem sinais indicativos no corpo. Eles eram meras sombras daquilo que um dia foram, presas em um purgatório radioativo. Eu os chamava de "as almas esquecidas", pois a radiação havia corroído suas vidas, transformando-os em meras marionetes da destruição.

    Enquanto explorava as ruínas, deparei-me com uma pequena comunidade de sobreviventes. Eles viviam em casas improvisadas, cobertas por lonas e restos de metal enferrujado. Seus corpos esqueléticos e semblantes vazios testemunhavam a terrível herança da radiação. Eles mal conseguiam articular palavras, mas seus olhos me transmitiam uma mensagem silenciosa de desespero e sofrimento.

    Os sobreviventes viviam em constante luta pela sobrevivência. A falta de recursos e a contaminação ambiental tornavam cada dia uma batalha árdua. Mas, apesar de sua condição miserável, eles se recusavam a desistir. Eles resistiam, agarrando-se à esperança de um amanhã melhor, mesmo que essa esperança parecesse cada vez mais distante.

    No entanto, o destino cruel que os aguardava era muito pior do que qualquer um poderia imaginar. A radiação que os transformara em criaturas sombrias também havia afetado seus corpos de maneira sutil e insidiosa. As células de seus organismos, condenadas por décadas de exposição à radioatividade, começaram a se rebelar contra a própria existência.

    Um por um, os sobreviventes começaram a sucumbir a uma doença maligna e implacável. Seus corpos já debilitados desmoronavam sob o peso da doença, enquanto suas mentes eram consumidas pela dor e pelo desespero. Testemunhei a transformação dessas vítimas da radiação em algo inimaginável. Eles não eram zumbis, mas sim aberrações da natureza, uma manifestação física do horror que havia assolado aquelas terras.

    O impacto ruim do meu encontro com essas criaturas foi algo que jamais poderei esquecer. Era como se a própria natureza estivesse se vingando da humanidade, transformando seus sobreviventes em monstros sem alma. A visão daquelas figuras deformadas, sofrendo e clamando por um alívio que nunca viria, foi um lembrete sombrio do poder destrutivo da guerra nuclear.

    Enquanto escapava daquela região desolada, fui tomado pela certeza de que, mesmo que a guerra acabasse e as tensões geopolíticas se resolvessem, o legado da radiação continuaria a assombrar a humanidade por gerações. Nossa busca pelo poder e nossa incapacidade de encontrar soluções pacíficas haviam desencadeado um mal indizível, condenando os inocentes a um destino terrível.

    Assim, meu relato termina com um impacto ruim e duradouro. Os horrores que testemunhei naquela terra arruinada ecoarão para sempre em minha mente. Que esse testemunho sirva como um lembrete sombrio de que a guerra nuclear não conhece vencedores, apenas vítimas e consequências devastadoras que perduram por décadas.
 
 

INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia nova, trago uma área que há décadas rumores sobre existirem mortos-vivos naquela localidade, mas sem nenhuma confirmação oficial. Por isso foquei em trazer o relato de um agente do Governo para elucidar essa dúvida, e como podem observar do desfecho, infelizmente os relatos estavam errados, não era nada "sobrenatural'', apenas a nossa própria devastação.   Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 

Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, Dreamstudio, digitei "a world ravaged by nuclear war, where survivors turned into radiation aberrations fight for survival amid anguish and despair."  e obtive esse resultado.  

 

 REFERÊNCIAS 

1. "Piquenique na Estrada" é um livro escrito pelos irmãos Strugatsky, Arkady e Boris. Essa obra de ficção científica pós-apocalíptica retrata uma expedição em uma zona de exclusão alienígena, explorando questões existenciais e sociais em um cenário distópico.

2.  Fallout 3 é um jogo de RPG de ação ambientado em um mundo pós-apocalíptico, lançado em 2008 pela Bethesda Game Studios. A história se passa no ano de 2277, no que um dia foi a cidade de Washington D.C., nos Estados Unidos. O jogo apresenta um cenário distópico devastado por uma guerra nuclear ocorrida em 2077, conhecida como a Grande Guerra. Os eventos do jogo se passam principalmente no Vault 101, um abrigo subterrâneo construído para proteger os habitantes da guerra. O jogador assume o papel de um habitante que, após o desaparecimento de seu pai, decide explorar o mundo exterior para encontrá-lo.

          https://www.youtube.com/watch?v=iYZpR51XgW0 TRAILER 



Comentários

  1. Muito bom mesmo, fiquei preso ao desenrolar das cenas contadas com detalhes precisos como se o próprio autor estivesse presenciado cada acontecimento ... continue escrevendo e eu continuarei lendo ... Parabéns, meu filho !!

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  2. Ótimo texto, reflexivo e instigante

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  3. Excelente texto, gostei muito da abordagem.

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