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INVISÍVEL

 "A verdadeira medida de uma sociedade é como ela trata seus membros mais vulneráveis."  Mahatma Gandhi.

    

    Antônio era um idoso cadeirante que lutava diariamente para superar os desafios impostos pela sua deficiência. Seu rosto exibia as marcas do tempo, com inúmeras rugas, e sua pele parecia ter sido exposta ao sol durante muitos anos. Sua barba densa cobria seu rosto. Muitas vezes, ele se sentia invisível, como se não fosse uma pessoa digna de atenção e respeito.

    Ao longo dos anos, aprendeu a resistir ao preconceito disfarçado e ao desprezo que muitas pessoas demonstravam por ele. Ele era um homem forte e corajoso, que se recusava a deixar que a falta de acessibilidade e o desrespeito o derrubassem.

    Certa vez, ele precisou pegar um ônibus para ir ao médico. Ele aguardou no ponto de ônibus, mas quando o veículo chegou, o motorista passou direto, sem sequer olhar para ele. Antônio precisou pedir ajuda a uma jovem que estava próxima, e só então o motorista parou.

    Durante todo o trajeto, sentiu o olhar curioso das pessoas sobre ele. Ele se sentia como um animal de circo, sendo observado pelos espectadores. Mas, apesar disso, ele permaneceu firme, resistindo ao preconceito e à exclusão que enfrentava diariamente.

    Desde a primeira vez que pegou um ônibus, Antônio nunca realmente se acostumou com os inúmeros olhares quando o motorista acionava o elevador. Naquele momento, ele se tornava a "sessão da tarde". Se fosse apenas o transporte, não teria nenhum problema. O complicado mesmo era o procedimento em si. Um sinal sonoro muito elevado cativava a atenção de todos que estavam ali. Era impossível não olhar e pensar: "Mas o que é esse barulho? É um carro ou caminhão? Ah, é apenas um deficiente." Assim pensava a maioria das pessoas que olhavam atentamente cada fragmento daquele momento.

    Ao chegar no consultório médico, encontrou uma escada na entrada. Ele se sentiu desanimado, mas se lembrou de que precisava lutar pelos seus direitos. Como não havia funcionários presentes, ele teve que usar os próprios braços, segurando o corrimão, para finalmente chegar ao terceiro andar. Lá, teve uma brilhante surpresa: infelizmente, naquele dia o médico não estava bem e não pudera comparecer. Por viver em um pequeno município teve que aceitar a mesma desculpa que recebe há anos.

 


INSPIRAÇÃO

 
      A ideia central para esse texto pode ser observada logo embaixo. É uma ideia antiga, basicamente foque em criar um texto inspirado em um fato que vivenciei, vinculado com um conto de um exímio escritor de origem alemã e o contexto de crítica social. Enfim, caro leitor (a), espero que sua leitura seja prazerosa!
 
Ps: A imagem do conto foi criado por intermédio de uma IA, wombo.art. Utilizando a seguinte combinação: "elderly man, wheelchair user, prejudice, resistance, inclusion, overcoming public transport, negligence''
 

REFERÊNCIAS

 

1. Me inspirei em um domingo um idoso descobriu que iríamos na mesma linha, por essa razão solicitou para avisar ao motorista que ele desejava subir, o profissional informou que nem tinha o visto, enquanto o senhor subia fiquei observando a reação do público, todos largaram o celular e focaram naquela cena;

 

2. Me refiro ao escritor Franz Kafka, no conto um artista da fome, abordando um tema similar; 

 

Comentários

  1. Ótimo texto. o enredo revela que tenha sido feito sob uma reflexão importante e empática sobre a velhice.

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  2. Excelente e com boas doses de reflexão!

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