"Todos temos algo a esconder... Algo obscuro dentro de nós, que não queremos que o mundo veja. Então fingimos que está tudo bem." Coringa
Desde quando era uma criança, começou a ver uma figura sempre na extremidade do seu quarto, jamais emitiu nenhum som, quando tentou falar para seus pais a primeira vez, ambos julgaram ser fruto da imaginação e como tinha seis anos, tudo faria sentido ter ele mesmo criado esse "amigo imaginário'', era alto, magro, seu sorriso sempre fora intimidador, aprendeu a conviver com o que fosse aquilo que sempre o acompanhou, dedicou para ele o nome de anjo, mas apresentava a convicção em sua cabeça que tal figura é totalmente oposto do que de um ser celestial como é descrito na bíblia.
Quando era adolescente acordou muito cedo, mais do que o habitual, olhei para frente, não observou o seu velho amigo, naquele momento, começou a suar mais do que o normal, sua mão tremia e olhava em todos os lugares o procurando, mas sem nenhum sucesso, até que sentiu uma leve brisa ao seu lado, sentia a respiração de uma criatura próximo do seu rosto, até que escutou uma voz que disse basicamente: "Corra, o mais rápido que puder e não olhe para trás''! Cumpriu a exigência ainda de pijama, quando estava na porta da cozinha, ouviu passos pesados em cima dele, lá era o seu quarto, escutou um som que jamais entendeu, mas provavelmente significava não ter sido encontrado pelo ser, quando estava chegando no vizinho, ouviu gritos dos seus pais, impossível não acabar em lágrimas que dificultavam ainda mais a sua visão e agora apresentava dificuldade para respirar pelo nariz.
Toquei a campainha inúmeras vezes, não vi outra possibilidade a não ser arrombar a porta, peguei um vaso de flor, quebrei uma janela e entrei, sorte que o cachorro ali, me conhecia, um animal de estimação monumental e grande, começou a lamber a minha mão e ficou feliz pelo carinho que recebia, ele me seguiu até o banheiro do terceiro andar, tentava ligar para a polícia, mas sem êxito; abracei o peludo que garantia minha segurança, parei de chorar, lavei o rosto, fiquei na banheira com o carro fitando porta de um lado para o outro, até que deitou como se escutasse um ser estranho.
A porta abriu de maneira violenta, o cão tentou lutar contra o agressor, caiu sem movimento, não escutava nenhuma voz, fora do banheiro estava tudo em uma densa penumbra, ouvi passos, até que finalmente vi quem era, uma pessoa que jamais vi na minha vida, era nítido que o seu interior fora tomado pela sede de sangue, assim ele afirmava, fiquei sem entender, comentou que meu tataravô havia sido senhor de escravos. Por essa razão deveria se vingar pelo, o que fizemos sua raça passar, quem afirmava essa evidência é negro.
Acordei no dia seguinte, sem entender nada, tudo foi um sonho, despertei de fato com cinco policiais com armas apontadas para mim, todas as provas apontavam que eu matara meus pais, e o cachorro do meu melhor amigo, para minha "sorte'' o advogado conseguiu defender sua tese, por essa razão me encontro em um hospital psiquiátrico. Jamais terei contato novamente com a sociedade, salvo por pessoas com parafusos a menos, todavia, o meu velho amigo nunca deixa de me visitar antes de dormir, falou em meu ouvido: "Agora você está seguro, e posso partir em paz.''

Ótimo texto! Parabéns 😍🤩 Aguardando os próximos.
ResponderExcluirUau !Adorei a narrativa !
ResponderExcluirO final em aberto vai deixar o leitor refletindo por muito tempo.