"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito." - Machado de Assis
Caia uma chuva torrencial, acabei de sair de uma reunião de trabalho no melhor hotel da cidade, por conta do meu celular não estar conseguindo abrir o aplicativo, foi necessário retornar aos primórdios da humanidade, melhor dizendo, pegar um táxi como meus avós. Gesticulei para o primeiro motorista que observei.
Para minha sorte, parou o carro, abri a porta, entrei, o carro aparentava ser bem limpo, salvo, por conta de uma forte cheiro de cigarro e bitucas que encontrei no canto da porta, falei desejar ir ao aeroporto, e por ser necessário chegar dentro de 2 horas até daria uma bela gorjeta, pude ver o sorriso do motorista após ouvir tais palavras, não era nada jovem, julgava ter na faixa dos setenta anos, branco, cômico era que não respeitava nenhum sinal ou regra de trânsito, fiquei com receio de reclamar e me largar no meio do caminho.
Comecei a fazer pequenos modificações no relatório que apresentaria dentro de cinco horas, como sugou toda minha atenção, não prestei atenção, mas o motorista, fez um caminho totalmente diferente do esperado, o indaguei, apenas me informou conhecer aonde eu realmente precisava estar, naquele momento não compreendi tal frase, a interpretei como uma forma de ironia contra mim. Respirei fundo, soltei o ar dos pulmões, sentia o ranger dos dentes na minha mente, meu punho fechou com tanta força que amassei o chocolate que carregava comigo.
Olhei novamente para o relógio, já havia perdido o voo, estava ao ponto de bater nessa pessoa tão estúpida, quando me ajeitei para ele parar o carro, freou de repente, e falou que chegara, olhei para direita, visualizei um cemitério enorme, desceu do carro, abriu a porta para mim, tentei lhe dar dinheiro, mesmo irado, mas ele negou, apenas me relevou que não poderia aceitar coisas mundanas¹.
Nem entrei muito, quando vi aquela grande árvore muito antiga, e observei a mesma fonte, senti uma vibração na minha mão, era um lugar familiar, mas desconhecia por qual razão, decidi andar em meio aos túmulos, até que observei uma senhora chorando, notei traços em seu rosto que era estrangeira, falei com ela, compartilhando sua dor, quando ela soltou aquele objeto, virando para mim, me fitando dos pés até a cabeça, apenas disse: "Meu filho, a quanto tempo esperei por esse momento.''
Filho? Mas você morreu naquele acidente, não pode ser minha mãe! Disse isso quando o entreguei para adoção, pois seria impossível não olhar os seus olhos, rosto e modo carinhoso, tudo idêntico ao seu pai, saiba que fiz tal ato com um enorme peso no coração, creio que não se lembra nada de mim, pois era muito pequeno, mas fui sou sua mãe. Ouvir aquilo é igual sentir seu estômago acometido do câncer mais grave possível. Tive que me sentar para raciocinar melhor.
INSPIRAÇÃO

Ótimo texto!
ResponderExcluirCriativo,sensitivo, principalmente, os aspectos intertextuais da obra peregrino.
Muito bom , parabéns!!!
Excelente narrativa ,prende o leitor do começo ao fim , gerando uma curiosidade enorme para conhecer o desfecho.
ResponderExcluirE um final que nos causa várias sensações e reflexões.