"Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros." - George Orwell
Essa nação é bastante estranha, registrou o observador em seu diário, pois ainda não compreendera bem como funcionava aquele lugar, era um turista, foi convidado por um amigo próximo que trabalhava como promotor daquela região para acompanhar um julgamento. Nunca assistiu até então tal fato criava muita ansiedade e preocupação por motivos insignificantes. O amigo antecipou comentando sobre a forma que usava para definir a pena era original e foi adotada recentemente, segundo ele, nutria bons resultados na redução brusca de delitos comparados ao ano passado, que registrou cerca de 60 mil mortes, se surpreenda, pois, esse País não vive em um lugar beligerante ou com um território vizinho. Essa evidência o deixou chocado quando montou o quebra-cabeça em sua mente.
A posição que os acusadores se posicionavam, por se apresentar em cima de um local elevado, exaltava sua imagem, ainda mais sua penumbra, que permitia uma imagem que intimava o réu que se encontrava no banco, estava sendo acusado de determinado crime, seu rosto demonstrava medo, era quase impossível não notar como estava suado, a quase todo momento com o andar e a fala pesada e eloquente que convencia o júri facilmente de ser CULPADO, uma das palavras que mais ouvi nesse dia.
O juiz para a minha surpresa não era velho, mas sim um jovem, não tinha ainda 27 anos, presumi. A defesa do rapaz, tentava ao máximo encontrar qualquer possibilidade de falha nos argumentos ou provas, entretanto, foi formulada muito bem que tornava sua atividade mais árduo do que o advogado que tentou defender um goleiro, ouvi dizer que cometeu um crime bárbaro, mas hoje detêm fãs, muito hipócrita essa sociedade, pensei.
Após uma hora, o juiz em conjunto com o júri, chegou em um resultado, pois como fora informado anteriormente, foi reformulado a Constituição pelo ATO 5, ou seja, a partir daquele dia em questão que ocorreu há 5 anos, o que pesava mais para ser definida a pena não seria os casos analisados pelos órgãos de inteligência ou policiais, mas via que serviam como controle, por essa razão me sentia na distopia do célebre escritor George Orwell. Me explicaram antes de ingressar no tribunal, de forma sintetizada, o que contava mais para definir o tempo que ficaria "preso'', seria por conta do valor monetário que detivesse.
O homem que se tornou réu, era negro, por ter uma renda familiar menor que dez mil, seria imposto para ele, a pena satisfatório para o crime que cometeu. Vi lágrimas em seu rosto, e gritando e com muita resistência que tiveram que convocar mais guardas para o levar ao seu novo lar, durante o período de quinze anos. Era difícil evitar escutar o que gritava: "Meritíssimo, sou INOCENTE, INOCENTE, POR FAVOR... Tenho esposa e filhos para prover sua existência.'' O juiz não demonstrava nenhum sentimento de empatia, apenas bateu o martelo e proferiu a sentença.
O segundo acusado, notei deter grandes posses, o valor que deveria custar a roupa que estava usando e o padrão do seu advogado, custava mais que se juntasse 30% da população em âmbito nacional, notei a mudança de semblante em todos, especialmente nos acusadores, até mudaram a posição que estavam sentados, como quando chega um grande amigo, inclusive na sentença. Após aquele teatro, pois nem considerava aquilo julgamento, não apresentou em nenhum momento uma fala intimidante ou que deixasse o possível "suspeito'' como o promotor se referia. Até pensei em levantar e sair andando, mas não iria pegar nada bem, e temia também ser preso.
Enfim, sem muitas delongas, o juiz, aproximou o máximo que pode daquele homem, alto, branco, que provavelmente era oriundo de família rica, e proferiu as seguintes palavras: "INOCENTE!'' Um grupo, foi tomado por uma histeria coletiva, possivelmente os familiares e amigos da vítima. Sua frase final deixou aquele grupo com faísca nos olhos: "Sabe, Excelentíssimo senhor juiz. Às vezes as mulheres preferem caluniar um homem, inclusive com o pior dos crimes, ESTUPRO, pois, no fundo, possuí inveja do que conquistou, e não vê outra maneira de tirar algo dele, se não for desse modo''. Engoli aquilo em seco, para minha sorte acabou por hoje. Achei contraditório observar no lado de fora, uma inscrição com o seguinte dizer:
''Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.''

Ótima reflexão dr... a luta contra o racismo tem um longo caminho pela frente.
ResponderExcluirRacismo não existe!
ExcluirÓtima reflexão dr... a luta contra o racismo tem um longo caminho pela frente.
ResponderExcluirE um assunto delicado
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