"A avareza perde tudo ao pretender ganhar tudo.'' - Jean de La Fontaine
"Grande beijo, eu te amo. Eu sinto muito sua falta, você não imagina como''. Assim reproduzia toda noite antes de dormir, o mesmo vídeo que ainda armazenava dela. Mas por qual razão? Nem seus próprios demônios internos sabiam a resposta correta. Deitava em volto de um enorme sentimento de saudade que tomava o seu peito, nos moldes do padre Amaro¹ durante sua estadia no seminário.
Todo dia quando deveria cumprir as obrigações casuais no âmbito profissional não via muita alegria, até pensou na possibilidade de alterar o seu nome para Sísifo². A única parte que era proveitosa no trajeto que percorria toda manhã e ao final da tarde, era por conta do vasto campo de girassóis, que recordava em sua mente como ela ficava linda naquele belo e justo vestido amarelo, ainda mais com aquele colar preto que sempre carregava com ela.
Não posso negar, que suicídio seria uma possibilidade, mas considerava algo grotesco que ofendia a religião que acreditava, ainda mais que não desejaria terminar como uma obra clássica do autor Johann Goethe³. Refleti que deveria persistir na normalidade da vida, até que finalmente pudesse talvez encontrar a mulher que iria ascender minha chama interna novamente, isso realmente acontece, ou deveria viver infeliz, triste e rico até que me tornasse apenas um pedaço de carne apodrecendo no cemitério?
Durante uma chuva torrencial, ouviu batidas na sua porta no dia do seu aniversário, será que seriam os familiares que convidei ou os amigos próximos? Errou em sua presunção antecipada, era apenas o entregador daquela grande livraria que era um cliente assíduo. Pois, o autor, percebera que a única forma de entretenimento que poderia trazer algum prazer, deixar mais culto e fazer amigos mesmo que não fossem reais, seria por intermédio dos livros. Seu psicólogo comentou que deveria mudar essa rotina, sair e fazer novas amizades, ajudariam a melhorar sua saúde mental, não gostou da ideia.
Julgava as pessoas com olhar do Darwinismo social indireto, porque para
ele, grande parcela da sociedade atual eram inundadas como quando
ocorre o rompimento de uma represa, e a cidade pequena é totalmente
engolida sem nenhum empecilho, principalmente, pois conversas fúteis,
faziam ele indagar, se realmente o ser humano estava evoluindo ou
regredindo? Talvez, de forma indireta o personagem reproduzia todas as
críticas que realizava contra a sociedade que faz parte, apenas por ler
livros, ter faculdade e um bom emprego que rendia dinheiro e uma vida
confortável, sentia-se como um juiz do mundo. Enquanto contemplava as
belezas da natureza, da sacada do seu quarto, enquanto bebia uísque e
fumava charuto cubano, sua enorme avareza exterminou os bons sentimentos
que ainda resistiam no seu interior.
''Era lua cheia, ela estava de costas para um casebre abandonado... era possível sentir tudo aquilo de uma só vez? O que falaria para a sociedade? Como esconder tudo aquilo de todas as pessoas? Poderia continuar? Estava pensativa, temerosa e, ao mesmo tempo, extremamente viva. Será que era assim que Madame Bovary se sentiu na primeira vez que teve um amante? Se sentia em um conto de fadas, um conto de fadas sem um final feliz, dilacerante... embora nem todas as princesas estariam fadadas a historinha insignificantes de amores não turbulentos... ela pensava, e enquanto isso sentia o vento gélido e lúgubre passar por seu rosto... valeria a pena tudo aquilo? Ouviu de leve um barulho nos galhos... quem seria?
Oras... oras... soou uma voz por trás dos arbustos... então é você querida traíra... seria possível ser tão idiota ao ponto te trocar o senhor Byron por um idiota qualquer? Mas você é belíssima, disse Cardie, uma beleza embriagante e estonteante.
Ela olhou de forma desprezível para ele, e deu uma risada de escárnio... e disse: não consegue perceber que não quero mais nada? E o idiota aqui é você? Me deixe em paz, a algo além do que teus olhos podem ver diante dessa situação, não... querido, não é amor. Existe algo de terrível por trás de tudo isso, e espero que descubra mais cedo ou mais tarde...
Cardie olho dentro dos olhos de Léia... ainda a amava, amava como uma menina..., mas tinha algo naquele olhar assustador, um olhar de sangue e vingativo... o que seria tudo aquilo?'' - Gessyca Gonçalves
REFERÊNCIAS
2. Personagem da mitologia grega, condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra até o topo de uma montanha, apenas para vê-la rolar de volta ao vale. Simboliza o esforço inútil e a inevitabilidade do fracasso. O mito de Sísifo é frequentemente usado em contextos filosóficos, como no ensaio "O Mito de Sísifo" (1942) de Albert Camus, para ilustrar o absurdo da existência humana.
3. Refere-se ao romance "Os Sofrimentos do Jovem Werther" (1774) de Johann Wolfgang von Goethe. O livro, narrado em forma de cartas, detalha o amor não correspondido do jovem Werther por Charlotte, que é comprometida com outro homem. A obra teve um impacto tão profundo que gerou uma onda de suicídios entre jovens europeus, influenciados pela desesperança e intensidade emocional descritas na história.
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ResponderExcluirDepois que eu li esse texto da Gessyca, fechei os olhos e para mim foi como se tudo fizesse parte de um passado recente. Muito intenso, bravíssimo.
ResponderExcluirMaravilhoso 👏👏👏👏👏
ResponderExcluirShow.
Amei ❤
Amei 😍❤
ResponderExcluirAmeei😍😍😍
ResponderExcluirParabéns, Gabriel! Texto excelente!
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